sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Isolando os problemas num amplificador valvulado - parte 1

Tentarei neste post dar algumas dicas de como isolar problemas e resolvê-los, ou ao menos endereçá-los.

Vários amigos me perguntam sobre o que acontece com seus equipamentos e sistemas. Telefonemas fora de hora que me digno a responder em função do desespero do cara do outro lado da linha...
Dizem que estava tudo em ordem e de repente tudo mudou!

Vamos lá.
Em todo e qualquer sistema, seja ele elétrico, mecânico, hidráulico, pneumático, etc existem alguns tipos de falhas que são comuns, lógico que cada uma do seu jeito e com suas particularidades, mas que têm uma certa "equivalência" entre si.

Podemos dividir os problemas em duas grandes categorias:
1) Falhas crônicas (anunciadas, desgaste, fadiga, e afins). Geralmente estão relacionadas com projetos deficientes ou componentes mal construídos ou mal dimensionados para o sistema em questão.
2) Falhas repentinas. Geralmente ocasionadas por fatores externos ao seu sistema. Por exemplo: raios atmosféricos, quebras mecânicas por acidentes, variações súbitas no fornecimento das operadoras de utilidades (água, energia, gás, etc), entre outros.

O primeiro passo para a resolução de um problema é tentar isolar a sua causa-raiz.
Para isto é importante que não se introduzam variáveis demais durante os testes de modo que os efeitos não mascarem uns aos outros e o problema acabe sumindo sem deixar vestígios (e geralmente voltam ... a não ser que os sistema em questão seja um VW Fusca...onde os defeitos aparecem e somem sem deixar vestígios e sem deixar você na mão! Eu não sou fã do cara, aliás acho que ele exagerou e teve o que mereceu, mas quando ele encomendou o Fusca ao Ferdinand Porshe, ele deu uma dentro!)

O segundo passo é ter um bloco de notas para anotar o passo-a-passo dos testes e suas conclusões. Se não fizer isto, se verá repentindo coisas que já fez ou ignorando itens importantes nos testes.

O terceiro passo é não permitir que variáveis externas se somem ao defeito manifestado, para tanto certifique-se de usar as ferramentas corretas, cabos em ótimo estado, utilidades 100% (água, gás, energia, etc). Trabalhe em local iluminado e arejado. Se você for homem, peça para ninguém interromper ou ficar conversando contigo durante a operação. Se for mulher, ignore esta dica, vocês têm a capacidade de lidar com muitas variáveis ao mesmo tempo, nós não. Respeitem nossa limitação, ficando em silêncio.

Com todo o circo armado, coloque o objeto da sua insônia diante de você e analise (melhor com o esquema aberto, se tiver) se vale a pena, em função da complexidade do equipamento, fazer a checagem de pontos da entrada para a saída ou vice-versa.

Ajuda muito se você fizer um diagrama em blocos isolando as funções principais.
Por exemplo: um receiver.
O receiver, via de regra, tem os conectores de entrada, o circuito de chaveamento destas entradas, o pré com o controle de volume, os circuitos de efeitos (tone, bass, mid, loudness, equalizer, etc), geralmente um loop de saída/entrada neste ponto, os pré-drivers, os drivers e o estágio de potência. Para tudo isto mencionado anteriormente, existe uma fonte com múltiplas saídas. A fonte também pode ser desmembrada em blocos: circuitos AC de entrada e proteção (cabo de força, conector de força, varistores, fusíveis, chave seletora de tensão AC, etc), transformador(es), retificadores e finalmente os reguladores.

Uma vez desenhados estes blocos e como eles se relacionam (diagrama unifilar), você pode começar a testá-los individualmente, da forma como falei IN to OUT ou OUT to IN.
Para tanto, injete um sinal conhecido e vá acompanhando a evolução deste sinal em cada estágio. Um após o outro, checando o efeito dos controles sobre este sinal até achar o ponto errático.
Eu geralmente uso o esquema IN to OUT (para sistemas eletro-eletrônicos de áudio) e a primeira coisa que faço é checar a fonte de aliementação. Com tudo checado e OK, coloco as entradas em curto para garantir zero ruído (faço isto com um jogo de RCAs curto-circuitados).
Depois vou injetando um sinal conhecido e acompahnando o mesmo, circuito a dentro, até a saída.
Via de regra, quando seguimos estes passos, os defeitos são rapidamente identificados e endereçados (consertados ou ao menos podemos avisar para quem vai mexer no equipamento, quais as nossas conclusões. Isto sempre ajuda).


Mais algumas dicas "de ouro":
1) Um defeito intermitente acontece com qualquer fonte de sinal que usemos ou com qualquer sistema posterior. Se o defeito começar a depender da fonte de sinal ou do sistema posterior, comece a desconfiar do problema. Grandes são as chances do defeito estar na fonte de sinal e/ou no sistema posterior e não no objeto da sua insônia.
2) Leve o equipamento para outro ambiente (a casa de um amigo ou conhecido) e refaça os testes. Se o problema só acontece na sua residência, chame um exorcista ou encomende uma sessão de descarrego.
3) Problemas em programas de computador (que rodam nos microcontroladores e CPUs de equipamentos) não aparecem do nada. Ou já existiam, ou o programa mudou, de alguma forma.


Reflexões:
"Tudo quanto é projetista deveria trabalhar pelo menos uns 10 anos com manutenção antes de começar a projetar qualquer coisa!"
Luciano Peccerini Junior


Nos meus tempos de manutenção industrial na BOSCH, "pastei" muito com máquinas projetadas por dentistas...Nada contra a categoria, desde que se atenham a cuidar de dentes e bocas...
Quantas máquinas não tive que desmontar metade do arcabouço para alcançar um tiristor mal posicionado. Pior que trocar a lâmpada do farol dianteiro esquerdo do C3 da Citroën! Se ficou curioso, pergunte para quem tem um...

Para quem quiser se aprofundar no assunto, fica a dica de um curso que fiz lá pelos idos dos 90´s:

Pois é, meus caros, quando vocês pegam o telefone e me perguntam porque algo deu errado, os questionamentos que faço do outro lado têm um motivo real, são perguntas objetivas e estruturadas. Geralmente estou com um bloco de notas escrevendo tudo para que possa melhorar sempre e, quando me deparar com o mesmo defeito, tenha tudo esclarecido, passo-a-passo.


Grande abraço.

PS.: No próximo post um exemplo prático.


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quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Dummy-load e Wattimetro para áudio - final

Depois de construída sua dummy-load com o bloco cimentício e o fio de Ni-Cr, chegou a hora de ligar tudo para torná-la utilizável e prática.

Lembrando: Potência[w] = (Tensão na carga[v] elevada ao quadrado) dividida pelo valor da resistência[Ohm], de onde esta medição de tensão foi tomada.

Ou,

P=U^2/R

Lembre-se de usar um voltímetro True RMS na escala de Volts AC e com uma frequencia fixa de 1Khz ou menos (400Hz tb é padrão) injetada no amplificador em teste, para que o fator de forma não seja o responsável pela distorção dos valores de tensão lidos.
Pode-se usar também um bom e velho voltímetro AC para áudio com entradas valvuladas de 20MOhm e escalas em Volts e dbm, desde que bem calibrado e em boas condições...como os meus TRIO (dual channel e que custou R$50,00 na Sta Ifigênia) e o LEADER, que ganhei de brinde numa compra de outro equipamento de segunda mão...

Voltando.
Eis o esquema final:

A lista de materiais (B.O.M.):


Bom, a parte mais delicada do processo é a construção da escala do wattímetro.
Vamos usar um miliamperímetro como base da montagem. O meu é de 100mA, mas vale qualquer miliamperímetro DC que vc tiver em mãos.
Na verdade, o primeiro que construí foi usando um galvanômetro de um multímetro analógico chinês que havia explodido na minha cara (o galvanômetro foi a única coisa que sobrou sem torrar...)
Como fazer.
Desmonte o frontal e retire a placa de alumínio com a escala graduada.
Digitalize a imagem da escala.
Abra esta imagem no MS-Paint (por exemplo) e apague todos os números.
Deixe os traços.
Imprima uma nova escala só com os traços em papel comum, agora com a numeração apagada, e ajuste a proporção na opção "visualizar impressão" para que fique exatamente do tamanho original.
Monte a nova escala cobrindo a escala anterior ou vire do avesso a placa de alumínio com a escala anterior e cole pelo lado de trás. Use cola em bastão. Fica mais fácil de descolar e limpar tudo se tiver que refazer o serviço.
Não monte o visor, você precisará riscar os valores na medida que fizer a calibração.
Feche todas as portas e certifique-se que não existam correntes de ar. O ponteiro do galvanômetro pode dar trabalho de passar um furacão pela sala.

Com tudo conectado, ligue seu Multímetro True RMS (ou o voltímetro AC de áudio) nos pontos TP1 e TP2 do esquema.
Ligue seu amplificador de testes na carga RL1, por exemplo.
Usando a fórmula lá de cima e o multímetro ligado em TP1/TP2, ajuste o volume do seu amplificador para que o multímetro apresente uma leitura de 2,83vac.
Marque 1w no galvanômetro, riscando com uma lapiseira bem fina, a posição do ponteiro defletido no galvanômetro.
Volte no volume e ajuste a tensão em TP1 e 2 para 4vac. Marque 2w.
Ajuste 4,9Vac. Marque 3w
E assim por diante, conforme a tabela abaixo.


Caso não tenha um amplificador para ajustar com  a potência nominal do fundo de escala do watímetro escolhida por você, improvise usando um Variac ou lâmpadas em série com a carga de forma a ajustar a corrente que circula pelo circuito. Não ficará uma "Mercedes" mas dá pra ter uma idéia do que rola com seus projetos de amplificadores.
Caso precise fazer uma medida precisa, use a fórmula, o multímetro True RMS ligado em TP1 e TP2 e uma calculadora...HP de preferência...

As imagens:

Painel frontal com controles e conexões P10, além dos test-ponits TP1 e TP2.

Painel traseiro com as conexões banana das cargas e um conjunto banana-P10 para uso em 16 ohms (que não é muito usual, por isto resolvi colocar no painel traseiro).

Note a fiação posicionada longe das cargas para evitar o aquecimento.

Detalhe da montagem interna.

Em uso à plena carga e "torrando" 280w do amplificador em teste...
É isto aí.
Você agora tem uma uma carga de 4 Ohms ( 2 x 8 em paralelo), duas de 8 Ohms individuais ou uma de 16 Ohms (2 x 8 em série) para testar seus projetos. De quebra terá a indicação da potência que passa na carga e um monitor para ligar um pequeno alto-falante par ter noção do som que está sendo reproduzido e está sendo dissipado na carga.

Se bem que, dependendo da potência usada no teste, o fio Ni-Cr cantará conforme a música. É o efeito térmico de contração-expansão fazendo com que o ar se mova e reproduzindo o som.

Bom divertimento!




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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Infinity Kappa 6.1 - Polydome volta à vida

Há um tempo atrás, comprei de um colega um par de caixas infinity Kappa 6.1


Foi uma daquelas compras que valem cada centavo, ainda mais se eu contar que paguei 1/10 do que valiam pois meu colega comprou um novo conjunto Infinity "up to date" para fazer jus ao seu Onkyo oito sete alguma coisa, com wi-fi, internet, servidor de mídia, HDMI de última geração, HD full, e tudo mais o que a grana pode comprar para enfeitar uma sala ... e não tinha o que fazer com os "monstros de 30kg cada", além de vendê-las.

Trouxe pra casa sem nem pestanejar.

Instalei na minha sala de HT e após alguns testes e auto-calibração do meu receiver, notei que o domo fenólico do Infinity Polydome estava trincado.

Mais que isso:
Caixas gringas dificilmente vêm climatizadas.
País tropical; SP onde as 4 estações do ano acontecem num dia; transporte & instalação, resumindo: um dos drivers de médios foi pro saco...

Bem, depois de constatado o estrago, comecei a procurar no "São Gugol" o que fazer.
Achei alguns posts gringos dizendo pra jogar tudo fora e comprar um driver novo na Parts Express (que não vende pro Brasil) ...

Pros caras é fácil. Quero ver morando por aqui, o que fazer!

Vasculhei no HT Fórum e encontrei alguns companheiros relatando experiências com os Selenium D200 e D250 sem a garganta, ou seja, pegaram o driver e meteram a serra na tampa expondo o domo.
De acordo com os caras, o resultado ficou bem legal!

...como diz a minha esposa:
" O que é um flato para quem já está todo evacuado"...

Anyways (sic), como eles dizem lá.
Resolvi refazer o domo do meu Infinity Polydome com um reparo fenólico nacional dos Selenium 300 (que serviram perfeitamente no diâmetro e curvatura),  = dos Snake 3057.
Fui até a Sta Ifigênia munido de 10 paus (11 na verdade, pois comprei a malha de Cu para conexão, além do reparo) e voltei pra casa gastar os meus 28 minutos disponíveis no Sábado antes do almoço.

Abaixo a sequencia de fotos que falam por si.


Driver Polydome Infinity e chave Allen 4mm, que será usada para desmontá-lo.


Domo e conjunto magnético separados.


Anel de vedação retirado para expor a colagem do frame ao domo.


Frame e domo separados.


Retirada do domo danificado. Soltando a malha de conexão da bobina original.


Tudo separado. Limpeza da bobina para ser guardada, caso o reparo não funcionasse à contento. Seria só colar a bobina original na peça fenólica alternativa e ver no que dava.


Limpeza OK.


Domo do reparo SK-3057 com sua fiação original (amarela). Trocada pela malha de 0,8mm, mais flexível e fina para que pudesse ser acomodada nos sulcos do frame original.


Marcação do + e -. IMPORTANTE! Para manter tudo em fase.


Colagem do domo no frame. Reparem no becker fazendo o papel de prensa. O diâmetro da boca do meu becker de 250ml era exatamente da medida que precisava. Após ser apoiado, coloquei uma lata de tinta de 1/4 para fazer peso no conjunto. Ficou secando por uns 10 minutos. Usei cola de contato para alto-falantes


Soldagem da malha nos contatos originais do conjunto magnético Infinity.


Colagem do anel de vedação na posição original.


Voilà! Domo pronto com tudo de volta no lugar.


O resultado?

Para mim, ficou perfeito.
R$11,00 gastos, 28 minutos de diversão e aprendizagem = várias horas de prazer ouvindo música!



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quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Dummy-load e Wattimetro parte 2

Vamos ao "how to" das resistências.
O próximo post relatará a confecção final do equipamento.

Com o material básico na mão, vamos construir a resistência de carga.
Você precisará de:
  1. Cinco metros de fio de níquel-cromo (Ni-Cr) de 1,6 Ohm/m (= 8 ohm), Para cada carga que montar.
  2. Uma barra roscada de 1/4" x 1m
  3. Arruelas para esta barra
  4. Porcas para esta barra
  5. Quatro terminais tipo olhal com diâmetro interno de 1/4"
  6. Dois blocos de concreto alveolar de 30mm de espessura ou 1 rodapé de ardósia (40cm x 7cm x 1cm)
  7. furadeira
  8. Serra tico-tico elétrica
  9. Serrote de marceneiro
  10. Arco de serra com serra para metal
  11. Brocas diversas
  12. Uma broca para telhas (8mm x 25cm de comprimento)
  13. Placa de alumíno de 1mm de espessura e com tamanho compatível com as cargas que montar.

A primeira tarefa é cortar os blocos na medida certa. Como usei os blocos de cimento ao invés da ardósia, cortei na medida 40cm x 15cm x 3cm.



O bloco é bem fácil de cortar. Se não tiver uma serra-circular, use serrote de carpinteiro, sem problemas.


Agora é só marcar a posição dos 18 furos necessários de cada lado do bloco

 Com uma broca de 3 mm, faça os furos nos locais marcados.


Agora prepare os contatos elétricos cortando a barra roscada. Faça 4 pinos de 45mm de comprimento. Repare no macete para fixar a barra na morsa sem danificar os fios de rosca. Isso mesmo. Use uma ou duas porcas como apoio.


Dê o acabamento para que as porcas entrem sem problemas nas pequenas barras cortadas. Se não tiver o esmeril, use lima para metal. Capriche para evitar dor de cabeça na hora de montar.


Monte os conjuntos com as arruelas, porcas e os terminais tipo olhal. É nestes terminais que você irá soldar a fiação que levará o sinal até a carga.



Alargue o furo do início do enrolamento e prenda uma das barras de contato. Faça um sanduíche de porcas com o início do enrolamento de fio Ni-Cr dentro. 


Meça com um multímetro (ou uma ponte de Wheatstone) o comprimento de fio que dê os 8 Ohms desejados. Corte o fio de Ni-Cr e faça dois ganchos, um em cada ponta. Estes ganchos serão presos entre as arruelas das barras de contato, no sanduíche citado acima.

O mini-UltraSeven sobre minha ponte RLC da HP é o guardião do meu laboratório.


Não tenha pressa. É um saco fazer este enrolamento...


Depois de enrolado e feito os contatos dos terminais, faça um furo passante com a broca para telhas, que mencionei anteriormente, de modo a passar a barra-roscada de um lado à outro. Esta será a fixação das resistências ao chassi que será montado mais adiante.


Eis aí as duas cargas de 8 ohms @ 500 watts (pelo menos...)


Corte duas chapas de alumínio de tamanho conveniente e faça a furação para sustentar as duas cargas que vc acabou de montar.



A foto acima é assunto para a parte final no próximo post.

Grande abraço.


segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Dummy-load e Wattimetro para áudio - parte 1

Alguns meses atrás comecei a otimizar um projeto de amplificador de estado sólido para uma empresa cliente-parceira.
Já tinham o projeto mas não estava 100% operacional.

Junto com todo o material que enviaram ao meu laboratório vieram duas cargas de 8 Ohms 500 watts.
O que mais me chamou à atenção foi a engenhosidade e simplicidade com que estas cargas foram montadas:
5 metros de fio de níquel-cromo (R$2,00/m) enrolados sobre dois pedaços de rodapé de ardósia verde (de 7cm x 40 cm, à R$1,50 a peça)!
Fantástico!

Um resistor comercial desta potência não sai por menos de uns R$80,00!

Peguei o conjunto e montei um aparato que me permitisse associar estas cargas em série (16 Ohm @ 1000w) ou em paralelo (4 Ohm @ 1000w) ou ainda usá-las em separado como duas cargas de 8 Ohm @ 500w,  que tivesse uma saída para um alto-falante monitor e de quebra um indicador analógico para indicar a potência aplicada, o Wattimetro.

Pesquisando aqui e acolá, achei uma dica em um website estadunidense de áudio automotivo, onde o autor ensinava a montar um retificador acoplado capacitivamente na carga final via um trimpot de ajuste que setava o ponto de trabalho de um milimaperímetro a ser calibrado  em uso.
Perfeito.
Não é um relógio suiço em termos de precisão e acuidade mas dá para saber se o amplificador projetado para "empurrar" um falante de 300w está entregando meros 3w ou os almejados 300w!

Após a montagem do circuito de forma "quick and fast" (meio que no esquema de gambiarra, melhor dizendo...) resolvi montar uma carga destas para uso na minha bancada do laboratório na LPJ Audio.

Abaixo uma prévia do circuito final. É só o conceito preliminar para vcs terem uma idéia.
Nos próximos dois posts, finalizando o projeto, colocarei:
1) Como montar a carga em si;
2) O circuito final "as-built" com as dicas de onde encontrar todo o material necessário.





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quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Phantom Power

A história do microfone de calibração foi relatada em http://lpjaudio.blogspot.com/

Passem por lá e vejam toda a saga.

Aqui nós vamos falar sobre a fonte-fantasma que montei para alimentá-lo.
Depois de uma busca geral na web, achei algumas opções interessantes para uma Phantom-Power. Dentre todo o material garimpado, o que mais me chamou a atenção, seja pela clareza do texto seja pela facilidade de expressão do autor, a do Mr Rod Elliott é de longe sempre a minha fonte de referência preferida.

A fonte básica consiste de uma fonte de tensão de 48Vdc, um par de resistores calibrados (geralmente de 6K81 metalfilm 1% e com desvio máximo de 0,4% entre eles) e dois capacitores de acoplamento para barrar o sinal DC nos pinos 2 e 3, de onde sai o sinal de áudio em 0° e 180° respectivamente.

O esquema abaixo mostra o circuito final. Possui uma entrada para cabo balanceado tipo ITT Cannon (apesar do Behringer ECM8000 não o ser) e 3 saídas. Uma XLR balanceada e duas single-ended P2 (ou P10) mono. Um opcional seria a inclusão de uma chave inversora que coloca o sinal HOT ou COLD no pino L (left) do P2/P10. Caso for usar um conector estéreo, deixe o L e o R jumpeados dentro do conector macho do cabo que sai da Phantom Power em direção ao sistema de medição, dessa forma vc terá o mesmo sinal em ambos canais da placa de som do notebook que roda o sistema de medição (analisador de espectro, espctrógrafo, medidor de parâmetros Thiele-Small, etc).


No desenho abaixo segue a sugestão de montagem utilizando uma placa padrão de trilhas. É só cortar as trilhas coloridas nos locais indicados e montar os componentes dispostos conforme o desenho.
Alguns microfones balanceados (ou pseudo-balanceados como o ECM8000) usam Phantom-Power com tensões diferentes dos 48Vdc originais, para tanto é só colocar um adaptador com a tensão desejada e não utilizar as duas baterias de 9Vdc do esquema abaixo.



É isso aí.
Boa sorte com o seu microfone balanceado de calibração e com a sua recém-montada Phantom Power.

PS.: Um ótimo SW para brincar com mics de calibração "for free" é o REW V5 da http://www.hometheatershack.com/; e caso vc tenha os US$4.500,00 para comprar a Ferrari dos SW de calibração, use o Smaart 7. ...astalavista...

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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Protoboard para válvulas - versão de potência

No post anterior havia finalizado a plataforma de uso geral (para baixa e média potência). Hoje finalizei a segunda parte do projeto: a plataforma de desenvolvimento de alta potência.

São 4 conectores tipo octal e dois mini-noval, todos independentes. Nos octais, podemos conectar a grande maioria das válvulas de potência mais utilizadas atualmente (6L6, 6550, KT88, EL34, 6CD6, PL509, 6AS7, 6BX7, etc) e nos dois mini-novais podemos usar as válvulas das séries 12Axxx ou ECCxx, bem como quaisquer outras com a finalidade de montar estágios de pré-amplificação, tone-satck ou phase-splitter.

Adiante montarei um adaptador com plugue macho octal (como se fosse a base de uma válvula) e ligado neste, os soquetes para a família das 211/845 e das 6C33-B.


Um transformador de filamento para 10A com 4 taps de tensões: 5; 6,3; 10 e 12,6Vac complementará a plataforma de desenvolvimento básico, permitindo montar 99% dos projetos demandados pelos meus clientes e minhas brincadeiras pessoais.

No momento oportuno voltarei à carga.

Abs.

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domingo, 13 de fevereiro de 2011

Protoboard para válvulas - minha versão.

Final de semana passado, estava com algum tempo livre e resolvi montar a protoboard sugerida no post anterior.
Já havia montado anos atrás uma plataforma de desenvolvimento rápido porém não era tão prática quanto a idéia que achei na web e postei há alguns dias. Resolvi desmontá-la e refazer nos moldes sugeridos com algumas melhorias:
1) Além dos soquetes 7-pin, mini-noval e octal, acrescentei : 4-pin, 5-pin e 6-pin (todos tipo jumbo) mais um magnoval (9 pinos com base grande);
2) Duas entradas de áudio L+R selecionáveis via chave seletora de três posições;
3) Posição central da chave seletora funcionando como MUTE;
4) Jogo de pinos banana para conexão à fonte de bancada valvulada (já publicada em post anterior);
5) Instalação de dois conectores DIN 5P-F, um  na própria placa de desenvolvimento e um no painel frontal da fonte de bancada valvulada para ligação rápida entre uma e outra (sem a inconveniência de vários cabos banana espalhados) através de um único cabo manga de 6 condutores.
6) Um barra extra de protoboard convencional para conexão de componentes pequenos.

Tudo montado em uma placa de fibra de vidro com cantoneiras de alumíno nas arestas funcionando como sustentação.
O próximo passo é montar uma versão para o desenvolvimento de estágios de potência.
Aguardem, no próximo final de semana com tempo livre, colocarei a idéia em prática.

 Top view


Bottom view


Att,



quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Protoboard para válvulas!

Achei na web.
As fotos falam por si.
Boa sorte e cuidado com as altas-tensões!!!





Um soquete tipo 7-pin miniatura, um Mini-noval (9 pinos miniatura) e um Octal (8 pinos normal), todos ligados em paralelo, ou seja, pino 1 com pino 1 com o pino1, e assim por diante. O pino 8 só nos dois últimos soquetes e o pino 9 só no do meio. Use as cores do código de resistores para facilitar a identificação: 1 marrom, 2 vermelho, 3 laranja, 4 amarelo, 5 verde, 6 azul, 7 roxo, 8 cinza e 9 branco.


Depois que montar a fonte de bancada (http://hollowstate.blogspot.com/2010/10/fonte-de-bancada-valvulada-3.html), esta é uma boa pedida para os seus Domingos chuvosos.
Abraços.



PS.: Se for brincar de "Power Amps", sugiro mais um jogo de soquetes com montagem idêntica à de cima com um par de octais stand-alone (sem ligá-las em paralelo, ou seja, ligadas uma em cada barra SINDAL numerada individualemnte) e uma protoboard em comum para este novo par de octais. O primeiro set é para a montagem do circuito de pré, o segundo set (idêntico ao primeiro) é para a montagem do phase-spliter  ou tonestack ou o que quer que seja e o último conjunto de octais para montar as válvulas de saída em push-pull, paralelo, parafeed, circlotron ou o que sua imaginação mandar.


PS.: Minha versão em http://hollowstate.blogspot.com/2011/02/protoboard-para-valvulas-minha-versao.html

domingo, 16 de janeiro de 2011

Ainda sobre o "47"

Ontem, conversando ao telefone com um amigo, ele comentou que havia gostado do artigo anterior sobre a saga do Amplificador 47.
Agora rendo minha homenagem à estas maravilhas criadas pela RCA em duas fotos.
Como elas vêm ao mundo.




E à plena carga, tocando Philip Glass.




Nada mais fascinante que ouvir um triodo de aquecimento direto polarizado em classe A empurrando um trafo single-ended sem feed-back.
5 watts de pura alegria.
É, ou não é, para encher os olhos e ouvidos?!


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quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

O amplificador 47


Lá pelos idos de 1998, estava passeando pela Santa Ifigênia, na região central de SP, quando parei na loja Trancham para comprar um CI driver para displays de 7-segmentos. Iria montar um frequencímetro no final de semana.
Conversando com o balconista, acabamos enveredando para o mundo das válvulas. Papo-vai, papo-vem, ele me apresentou o gerente da loja e pediu para irmos ao "depósito".


Atravessamos a rua.
O gerente me levou por um corredor estreito lá na outra loja, até os fundos.
Abriu uma portinha de madeira de 1,60m x 0,5m e voilà! Dei de cara com o "estoque-arquivo morto" da Trancham. Era a parte interna do prédio que ocupava meio quarteirão e tinha 3 mezaninos circundando o galpão. Cada mezanino com prateleiras de ferro até o teto.


Era perto de 100.000 caixas de válvulas, de acordo com o último inventário de 1977. Cada caixa contendo de 20 a 200 válvulas, dependendo do tamanho das mesmas.


Fiquei de queixo caído! Perguntei se poderia comprar algumas. Ele me disse que poderia pegar o que quisesse que faria um preço camarada (R$0,50/peça)...


Foi neste golpe de sorte mesclado com bagunça organizada que acabei achando uma caixa NOS da RCA com válvulas 47. Estimo que sejam de antes de 1943, pois possuem o logo "pre-war" da RCA estampado nas caixas.


Trouxe para casa meu pequeno tesouro com várias válvulas interessantes, entre elas as 47 e algumas 46, entre outras.


Deixei meu projeto do Frequencímetro de lado e fui desenhar um amplificador single-ended em classe A com zero-realimentação usando as 47 como triodos de aquecimento direto.


Desde 1998, foram 12 anos usando o meu 47 original.
O som, apesar da limitação de potência, era cristalino e enchia todo o ambiente com a sua sonoridade característica. Convenhamos, triodo de aquecimento direto em classe A e sem feedback, tem o seu charme...
Na virada do ano passado, uma das válvulas abriu o bico por metal-stripping e começou a faiscar internamente.
Era hora de rever o projeto antes de colocar outra 47 no lugar.
Com o +B um pouco além do limite, sem delay entre o +B e filamento, alimentação de filamento AC com hum-balance via potenciômetro (como era feito na década de 30) entre outras simplificações e 12 anos à menos de experiência em relação à hoje, até que demorou para pifar...


Abri o gabinete, retirei toda a fiação, limpei todos os soquetes e conectores, sumi com tudo que era supérfluo e comecei do zero novamente.


O resultado da empreitada me satisfez ainda mais que o "47" original.


Tudo na temperatura correta. +B limitado-regulado-temporizado, +V para as 6SN7 GE/Sylvania regulado, filamentos DC com filtragem de ripple generosa, aterramento tipo star-ground, o pot para hum-balance continuou, porém muito mais eficiente, entre outras melhorias menores. O pré também foi redesenhado para aumentar a excursão do sinal, tirando o máximo das 47 sem levá-las à área "torta" da curva de transferência.


O resultado final pode ser visto aqui. Quem quiser se aventurar, em breve postarei o esquema com maior resolução no website http://www.amplificadores.com.br/Index_arquivos/Page435.htm





quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Dá pra melhorar?

Volta e meia ouço esta pergunta.

Sempre dá pra melhorar, seja lá o que for!

A pergunta por trás da pergunta do título seria:
Dá pra melhorar...a que custo?

Veja um exemplo:
Uma 12AX7 NOS custa por volta de US$15,00. Uma nova feita pela Golden Dragon US$9,00.
Uma Telefunken ECC803-S (variante alemã/holandesa da boa e velha 12AX7) custa US$ 1.295,95 ( http://www.tubedepot.com/pa-ecc803s-tele.html )

Será que o som desta válvula é 100 vezes melhor?
Com certeza é melhor, mas quanto? Será que dá pra medir? E o amplificador em si? Vai trocá-lo também em função da válvula? E as caixas-acústicas? Vai colocar um par de Midgards com cornetas de 2m de diâmetro???

A procura pelo som perfeito é semelhante àquela do Santo Graal.
...Ás vezes me vejo como um dos Cavaleiros fazendo perguntas aos "Parsifals" de plantão...


PS.: se não tiver o que fazer com a grana, aí vai uma dica: ( http://www.tubedepot.com/we-252a-as2.html )